Consórcio na Ponta do Lápis
Consórcio ou financiamento

Consórcio ou juntar o dinheiro por conta: a conta honesta

Vale mais entrar num consórcio ou guardar o dinheiro por conta própria? Veja a conta com rendimento, taxa de administração, reajuste do bem e disciplina.

Por Redação Consórcio na Ponta do LápisAtualizado em · 6 min de leitura · Nível iniciante
Neste artigo (8)

Guardar o dinheiro por conta própria costuma levar você ao bem mais cedo e mais barato, desde que duas condições se cumpram: o dinheiro rende acima da alta de preço do bem e você deposita todo mês, sem falhar. O consórcio ganha quando falta disciplina, quando o rendimento é fraco ou quando você tem a sorte de ser contemplado cedo. Abaixo, a conta que mostra onde fica a linha.

O que você está comparando

Os dois caminhos têm uma coisa em comum: nenhum dos dois entrega o bem hoje. A diferença está em quem cuida do dinheiro e quanto isso custa.

  • No consórcio, você paga a parcela, a administradora junta o dinheiro do grupo e cobra uma taxa de administração por isso. Você não ganha rendimento sobre o que pagou, mas pode ser contemplado antes de ter pago tudo. A conta completa dos custos está em custo total do consórcio.
  • Guardando sozinho, você não paga taxa de administração e o dinheiro rende. Em troca, só compra quando juntar o valor inteiro, e ninguém vai cobrar se você pular um mês.

Exemplo: um bem de R$ 100 mil

Todos os números são hipotéticos e redondos, só para mostrar a conta.

Consórcio (exemplo):

  • Carta de R$ 100 mil, prazo de 120 meses.
  • Taxa de administração de 15% mais 2% de fundo de reserva.
  • Parcela: R$ 100.000 × 1,17 ÷ 120 = R$ 975 por mês.
  • Reajuste hipotético de 5% ao ano na carta e na parcela.

Guardando por conta própria (exemplo):

  • Depósito de R$ 975 por mês, o mesmo valor da parcela, também aumentado 5% a cada ano.
  • Rendimento líquido hipotético (já descontado imposto) de 0,5% ao mês.
  • O preço do bem sobe 5% ao ano, igual ao reajuste do consórcio.

Para ser justo, os dois lados gastam o mesmo por mês e enfrentam a mesma alta de preço.

O resultado do exemplo

Simulando mês a mês, quem guarda R$ 975 rendendo 0,5% ao mês alcança o preço do bem por volta do mês 101, ou seja, cerca de 8 anos e 5 meses. Nessa altura, o bem custa uns R$ 151 mil por causa da alta de 5% ao ano, e o saldo guardado chega lá.

No consórcio, o prazo é de 120 meses e a contemplação pode cair em qualquer mês entre o primeiro e o último. Se a sua cota sair antes do mês 101, o consórcio chegou primeiro. Se sair depois, guardar sozinho teria sido mais rápido e você ainda teria economizado a taxa.

Em valores de hoje, a taxa de administração mais o fundo de reserva custam 17% de R$ 100 mil, ou R$ 17 mil. É isso que você paga pela chance de receber antes e pela disciplina imposta pelo boleto.

A conta muda muito com o rendimento

Cenário (exemplo) Mês em que você junta o valor do bem
Rendimento de 0,6% ao mês, depósito reajustado cerca de 96
Rendimento de 0,5% ao mês, depósito reajustado cerca de 101
Rendimento de 0,4% ao mês, depósito reajustado cerca de 106
Rendimento de 0,5% ao mês, depósito fixo em R$ 975 cerca de 123
Dinheiro parado, sem rendimento, depósito reajustado cerca de 137

Duas lições saem da tabela. A primeira: o rendimento só ajuda de verdade quando supera a alta de preço do bem. Dinheiro parado na gaveta, com o bem subindo 5% ao ano, leva 137 meses, mais que o prazo inteiro do consórcio. A segunda: se você não aumenta o depósito a cada ano, o bem foge. Com R$ 975 fixos, a meta só chega no mês 123.

Para refazer essa conta com outros números, a Calculadora do Cidadão, do Banco Central, simula aplicação com depósitos mensais e corrige valores por índices de inflação.

Onde costuma estar o dinheiro de quem guarda sozinho

O blog não recomenda produto, mas vale saber o que existe e o que observar:

  • Títulos públicos do Tesouro Direto: programa do Tesouro Nacional com a B3, com títulos prefixados, atrelados à Selic ou à inflação. Preço e rendimento variam se você vender antes do vencimento.
  • Renda fixa de bancos (CDB, LCI, LCA e similares): parte delas tem garantia do FGC até um limite por CPF e por instituição, definido e atualizado pelo próprio fundo. Confira o valor vigente no site do FGC antes de aplicar.
  • Poupança: simples e com liquidez, mas o rendimento pode ficar abaixo da alta de preço de alguns bens, como mostrou a tabela.

Nenhuma dessas opções tem rendimento garantido no sentido de prever o futuro. Use rendimentos conservadores na sua simulação.

O fator que a planilha não mede

Pense com franqueza no seu histórico: quantas vezes você começou a guardar e usou o dinheiro antes da hora? Para muita gente, o boleto mensal funciona como uma trava. Essa trava tem custo (a taxa) e também tem rigidez. Quem desiste do consórcio antes da contemplação não recebe tudo de volta na hora, como explica o guia de desistir do consórcio.

Guardando sozinho, a flexibilidade é total, inclusive para emergências. Ter uma reserva separada da meta evita usar o dinheiro do carro ou da casa no primeiro imprevisto.

Quando cada caminho compensa mais

Guardar por conta própria tende a compensar quando você já tem o hábito de poupar, encontra aplicações com rendimento líquido acima da alta do bem e não tem pressa.

O consórcio pode compensar quando você sabe que não conseguiria manter os depósitos sem compromisso formal, quando aceita pagar a taxa pela chance de contemplação antecipada ou quando pretende usar um lance para acelerar, conforme as regras de tipos de lance. Para ver se o seu perfil combina, leia para quem o consórcio faz sentido.

Próximos passos

  1. Escolha o bem e o valor de hoje, e defina em quantos meses você gostaria de tê-lo.
  2. Simule na Calculadora do Cidadão um depósito mensal igual à parcela do consórcio que lhe ofereceram.
  3. Use na simulação um rendimento líquido conservador e uma alta de preço do bem realista.
  4. Peça à administradora a taxa total, o fundo de reserva, o índice de reajuste e o número de contemplações por mês do grupo.
  5. Seja qual for a escolha, separe antes uma reserva para emergências, para não precisar mexer na meta.

Dúvidas comuns

Juntar dinheiro sozinho sempre sai mais barato que consórcio?
Não sempre. Guardar por conta própria vence quando o dinheiro rende acima da alta de preço do bem e você mantém os depósitos todo mês. Se o dinheiro fica parado sem rendimento ou você interrompe os depósitos, o consórcio pode chegar antes.
Onde guardar o dinheiro para comprar um bem daqui a alguns anos?
Depende do prazo e do quanto você aceita de oscilação. Títulos públicos do Tesouro Direto e aplicações de renda fixa cobertas pelo FGC são opções que muita gente estuda para esse objetivo. Compare rendimento líquido, prazo de resgate e risco, e não conte com rendimento garantido.
E se eu precisar do dinheiro no meio do caminho?
Guardando por conta própria, em geral você resgata quando quiser, respeitando o prazo da aplicação. No consórcio, quem desiste antes da contemplação recebe de volta só parte do que pagou, e normalmente só depois, conforme a lei e o contrato.

Fontes oficiais consultadas

Aviso. Este conteúdo é educativo e não substitui orientação profissional. Taxas, limites e regras citadas mudam com o tempo; confira sempre o valor vigente na fonte oficial antes de decidir. O Consórcio na Ponta do Lápis não recomenda produtos, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.
Calcule: Se a parcela do consórcio fosse para a poupançaVeja quanto o valor da parcela viraria se você guardasse e aplicasse o dinheiro em vez de pagar o grupo.

Indicadores oficiais

Ver no Banco Central
Meta Selic...taxa básica, ao ano
CDI...referência da renda fixa, ao ano
IPCA...inflação acumulada em 12 meses
Salário mínimo...valor vigente

Não foi possível carregar os indicadores agora. Consulte no site do Banco Central.

Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.

Redação Consórcio na Ponta do Lápis

Escrevemos a partir de fontes oficiais, sem vender produto financeiro e sem receber para indicar instituições. Encontrou um erro ou uma informação desatualizada? Escreva para a redação; corrigimos e registramos a data da revisão. Próxima revisão programada: 22 de abril de 2027. Leia a política editorial.

Para ler em seguida

Mais guias de Consórcio ou financiamento e de outros temas.

Ver tudo em Consórcio ou financiamento
  1. Consórcio ou financiamentoPara quem o consórcio faz sentido e para quem não fazUm teste rápido para saber se o consórcio combina com você: urgência, renda estável, reserva de emergência, parcela no orçamento e paciência para esperar.
  2. Consórcio ou financiamentoConsórcio ou financiamento de carro: quando cada um faz sentidoConsórcio ou financiamento de carro? Veja a conta com números hipotéticos, o peso dos juros, da taxa de administração, da urgência e da desvalorização.
  3. Consórcio ou financiamentoConsórcio como investimento: o que dizem as contasConsórcio pode ser investimento? Veja a conta de quem compra cota para vender a carta contemplada, os riscos, o custo da taxa e o que acontece se não sair.
  4. Como o consórcio funcionaContrato de consórcio: as cláusulas que você precisa ler antes de assinarRoteiro para ler o contrato de consórcio antes de assinar: taxa, fundo de reserva, reajuste, lance, garantias, seguro, desistência, multas e transferência.