Consórcio ou juntar o dinheiro por conta: a conta honesta
Vale mais entrar num consórcio ou guardar o dinheiro por conta própria? Veja a conta com rendimento, taxa de administração, reajuste do bem e disciplina.
Neste artigo (8)
Guardar o dinheiro por conta própria costuma levar você ao bem mais cedo e mais barato, desde que duas condições se cumpram: o dinheiro rende acima da alta de preço do bem e você deposita todo mês, sem falhar. O consórcio ganha quando falta disciplina, quando o rendimento é fraco ou quando você tem a sorte de ser contemplado cedo. Abaixo, a conta que mostra onde fica a linha.
O que você está comparando
Os dois caminhos têm uma coisa em comum: nenhum dos dois entrega o bem hoje. A diferença está em quem cuida do dinheiro e quanto isso custa.
- No consórcio, você paga a parcela, a administradora junta o dinheiro do grupo e cobra uma taxa de administração por isso. Você não ganha rendimento sobre o que pagou, mas pode ser contemplado antes de ter pago tudo. A conta completa dos custos está em custo total do consórcio.
- Guardando sozinho, você não paga taxa de administração e o dinheiro rende. Em troca, só compra quando juntar o valor inteiro, e ninguém vai cobrar se você pular um mês.
Exemplo: um bem de R$ 100 mil
Todos os números são hipotéticos e redondos, só para mostrar a conta.
Consórcio (exemplo):
- Carta de R$ 100 mil, prazo de 120 meses.
- Taxa de administração de 15% mais 2% de fundo de reserva.
- Parcela: R$ 100.000 × 1,17 ÷ 120 = R$ 975 por mês.
- Reajuste hipotético de 5% ao ano na carta e na parcela.
Guardando por conta própria (exemplo):
- Depósito de R$ 975 por mês, o mesmo valor da parcela, também aumentado 5% a cada ano.
- Rendimento líquido hipotético (já descontado imposto) de 0,5% ao mês.
- O preço do bem sobe 5% ao ano, igual ao reajuste do consórcio.
Para ser justo, os dois lados gastam o mesmo por mês e enfrentam a mesma alta de preço.
O resultado do exemplo
Simulando mês a mês, quem guarda R$ 975 rendendo 0,5% ao mês alcança o preço do bem por volta do mês 101, ou seja, cerca de 8 anos e 5 meses. Nessa altura, o bem custa uns R$ 151 mil por causa da alta de 5% ao ano, e o saldo guardado chega lá.
No consórcio, o prazo é de 120 meses e a contemplação pode cair em qualquer mês entre o primeiro e o último. Se a sua cota sair antes do mês 101, o consórcio chegou primeiro. Se sair depois, guardar sozinho teria sido mais rápido e você ainda teria economizado a taxa.
Em valores de hoje, a taxa de administração mais o fundo de reserva custam 17% de R$ 100 mil, ou R$ 17 mil. É isso que você paga pela chance de receber antes e pela disciplina imposta pelo boleto.
A conta muda muito com o rendimento
| Cenário (exemplo) | Mês em que você junta o valor do bem |
|---|---|
| Rendimento de 0,6% ao mês, depósito reajustado | cerca de 96 |
| Rendimento de 0,5% ao mês, depósito reajustado | cerca de 101 |
| Rendimento de 0,4% ao mês, depósito reajustado | cerca de 106 |
| Rendimento de 0,5% ao mês, depósito fixo em R$ 975 | cerca de 123 |
| Dinheiro parado, sem rendimento, depósito reajustado | cerca de 137 |
Duas lições saem da tabela. A primeira: o rendimento só ajuda de verdade quando supera a alta de preço do bem. Dinheiro parado na gaveta, com o bem subindo 5% ao ano, leva 137 meses, mais que o prazo inteiro do consórcio. A segunda: se você não aumenta o depósito a cada ano, o bem foge. Com R$ 975 fixos, a meta só chega no mês 123.
Para refazer essa conta com outros números, a Calculadora do Cidadão, do Banco Central, simula aplicação com depósitos mensais e corrige valores por índices de inflação.
Onde costuma estar o dinheiro de quem guarda sozinho
O blog não recomenda produto, mas vale saber o que existe e o que observar:
- Títulos públicos do Tesouro Direto: programa do Tesouro Nacional com a B3, com títulos prefixados, atrelados à Selic ou à inflação. Preço e rendimento variam se você vender antes do vencimento.
- Renda fixa de bancos (CDB, LCI, LCA e similares): parte delas tem garantia do FGC até um limite por CPF e por instituição, definido e atualizado pelo próprio fundo. Confira o valor vigente no site do FGC antes de aplicar.
- Poupança: simples e com liquidez, mas o rendimento pode ficar abaixo da alta de preço de alguns bens, como mostrou a tabela.
Nenhuma dessas opções tem rendimento garantido no sentido de prever o futuro. Use rendimentos conservadores na sua simulação.
O fator que a planilha não mede
Pense com franqueza no seu histórico: quantas vezes você começou a guardar e usou o dinheiro antes da hora? Para muita gente, o boleto mensal funciona como uma trava. Essa trava tem custo (a taxa) e também tem rigidez. Quem desiste do consórcio antes da contemplação não recebe tudo de volta na hora, como explica o guia de desistir do consórcio.
Guardando sozinho, a flexibilidade é total, inclusive para emergências. Ter uma reserva separada da meta evita usar o dinheiro do carro ou da casa no primeiro imprevisto.
Quando cada caminho compensa mais
Guardar por conta própria tende a compensar quando você já tem o hábito de poupar, encontra aplicações com rendimento líquido acima da alta do bem e não tem pressa.
O consórcio pode compensar quando você sabe que não conseguiria manter os depósitos sem compromisso formal, quando aceita pagar a taxa pela chance de contemplação antecipada ou quando pretende usar um lance para acelerar, conforme as regras de tipos de lance. Para ver se o seu perfil combina, leia para quem o consórcio faz sentido.
Próximos passos
- Escolha o bem e o valor de hoje, e defina em quantos meses você gostaria de tê-lo.
- Simule na Calculadora do Cidadão um depósito mensal igual à parcela do consórcio que lhe ofereceram.
- Use na simulação um rendimento líquido conservador e uma alta de preço do bem realista.
- Peça à administradora a taxa total, o fundo de reserva, o índice de reajuste e o número de contemplações por mês do grupo.
- Seja qual for a escolha, separe antes uma reserva para emergências, para não precisar mexer na meta.
Dúvidas comuns
Juntar dinheiro sozinho sempre sai mais barato que consórcio?
Onde guardar o dinheiro para comprar um bem daqui a alguns anos?
E se eu precisar do dinheiro no meio do caminho?
Fontes oficiais consultadas
Indicadores oficiais
Ver no Banco CentralNão foi possível carregar os indicadores agora. Consulte no site do Banco Central.
Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.
Para ler em seguida
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