Quanto custa um consórcio de verdade: a conta do custo total
Some taxa de administração, fundo de reserva, seguro e reajuste e descubra quanto um consórcio custa de verdade, com um exemplo completo e a conta mostrada.
Neste artigo (7)
O custo de um consórcio é tudo o que você paga além do valor da carta de crédito: taxa de administração, fundo de reserva, seguro e despesas previstas no contrato. Somados, esses itens costumam ficar em uma fração da carta, e o reajuste anual aumenta o total em reais. A conta abaixo mostra como chegar a um número seu, sem depender da simulação do vendedor.
O que entra na conta
O artigo 27 da Lei 11.795/2008 define a prestação como a soma da parcela do fundo comum, da taxa de administração e das demais obrigações previstas expressamente no contrato. O Banco Central orienta que esses componentes apareçam discriminados, em valor e em percentual, já na primeira prestação.
Na prática, a lista fica assim:
- Fundo comum: é o dinheiro que paga as cartas. Ele não é custo, é o valor do bem dividido em parcelas.
- Taxa de administração: a remuneração da administradora. Detalhes no guia sobre taxa de administração.
- Fundo de reserva: se o grupo tiver, uma reserva coletiva cuja sobra pode voltar no fim. Veja o guia sobre fundo de reserva.
- Seguro: quando previsto, em geral prestamista. Veja o guia seguro no consórcio.
- Despesas pontuais: registro e avaliação de garantias, transferência de cota, entre outras previstas no contrato.
O exemplo completo, sem reajuste
Imagine um consórcio de carro hipotético:
- Carta de crédito: R$ 80.000
- Prazo: 80 meses
- Taxa de administração total: 16%
- Fundo de reserva: 2%
- Seguro prestamista: 0,03% ao mês sobre o saldo que falta pagar
A conta de cada item:
| Item | Conta | Total no plano |
|---|---|---|
| Fundo comum | R$ 80.000 | R$ 80.000,00 |
| Taxa de administração | R$ 80.000 × 16% | R$ 12.800,00 |
| Fundo de reserva | R$ 80.000 × 2% | R$ 1.600,00 |
| Seguro prestamista | 0,03% ao mês sobre saldo decrescente | R$ 1.146,96 |
| Total pago | R$ 95.546,96 |
A parcela sem seguro sai em R$ 94.400 ÷ 80 = R$ 1.180. O seguro começa em cerca de R$ 28 por mês e vai caindo, porque o saldo diminui.
O custo, sem reajuste, é de R$ 15.546,96, ou cerca de 19,4% da carta. Se o grupo encerrar com sobra no fundo de reserva, parte dos R$ 1.600 pode voltar, o que reduziria esse percentual. Ninguém pode garantir quanto.
Agora com reajuste
As parcelas são um percentual do preço do bem de referência (artigo 27, parágrafo 1º). Se esse preço sobe, todas as fatias sobem juntas. Suponha um reajuste hipotético de 5% a cada 12 meses:
- 1º ano: carta de R$ 80.000, parcela de R$ 1.180,00
- 2º ano: carta de R$ 84.000, parcela de R$ 1.239,00
- 4º ano: carta de R$ 92.610, parcela de R$ 1.366,00
- 7º ano: carta de R$ 107.207,65, parcela de R$ 1.581,31
Somando os 80 meses, as parcelas chegam a cerca de R$ 108.965,59 e o seguro a R$ 1.253,61. O desembolso total fica perto de R$ 110.219,20.
Esse número assusta, mas compare com cuidado. O carro também ficou mais caro, e a carta acompanhou o preço até a contemplação. Em percentual do bem, o custo continua perto dos mesmos 19%. O que muda é o seu orçamento: a parcela do último ano é cerca de 34% maior que a do primeiro. Os efeitos do reajuste, inclusive depois de contemplado, estão no guia sobre reajuste da carta de crédito.
O efeito do lance embutido
O lance embutido usa parte da própria carta para antecipar a contemplação. Ele não é dinheiro novo, mas muda a conta. No exemplo, um lance embutido hipotético de 20% sobre a carta de R$ 80.000 usaria R$ 16.000:
- Você recebe R$ 64.000 para comprar o carro.
- Os R$ 16.000 abatem o que falta pagar, então o desembolso das parcelas cai de R$ 94.400 para R$ 78.400 (sem seguro e sem reajuste).
- A taxa de administração e o fundo de reserva continuam sendo calculados sobre R$ 80.000: R$ 14.400 no total.
Comparado ao que você levou, o custo passa de 18% para 22,5% (R$ 14.400 ÷ R$ 64.000). Pode valer a pena para ter o bem antes, mas é custo a mais. Os tipos de lance estão no guia tipos de lance no consórcio.
Como comparar com outras opções
Somar o custo total é o primeiro passo. O segundo é comparar com o que você faria sem o consórcio:
- Financiamento: você tem o bem logo, mas paga juros. A Calculadora do Cidadão, do Banco Central, mostra o total de um financiamento com prestações fixas a partir da taxa informada pelo banco.
- Juntar por conta própria: sem taxa, mas sem a chance de ser contemplado antes. A mesma calculadora simula aplicações com depósitos regulares.
Os guias consórcio ou financiamento de carro e consórcio ou juntar dinheiro fazem essas comparações lado a lado.
Custos que ficam fora da simulação
Algumas despesas não aparecem na parcela, mas saem do bolso:
- registro da alienação fiduciária e avaliação do imóvel ou vistoria do veículo, quando previstas;
- taxa de transferência, se você vender a cota;
- multa e juros por atraso, previstos no contrato (a lei exige que pelo menos metade vá para o grupo);
- antecipação de taxa de administração na assinatura, que deve ser descontada do total da taxa.
Peça à administradora a lista dessas despesas por escrito antes de assinar. Se algum valor aparecer no boleto sem estar previsto no contrato, questione: a lei só admite cobranças expressamente estabelecidas no contrato de adesão.
Próximos passos
- Copie a tabela do exemplo e preencha com os percentuais da sua proposta.
- Calcule o custo em reais e em percentual da carta, sem reajuste.
- Simule a parcela com dois ou três reajustes e veja se ela cabe no orçamento do último ano.
- Se pensa em lance embutido, refaça a conta dividindo o custo pelo valor que você vai receber.
- Compare o resultado com um financiamento e com a opção de juntar o dinheiro, usando a Calculadora do Cidadão.
Dúvidas comuns
Como calcular o custo total de um consórcio?
O consórcio é mais barato que o financiamento?
O lance embutido aumenta o custo do consórcio?
Fontes oficiais consultadas
Indicadores oficiais
Ver no Banco CentralNão foi possível carregar os indicadores agora. Consulte no site do Banco Central.
Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.
Para ler em seguida
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